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Uma breve história sobre a Blockchain

29 de junho de 2017 Escrito por Blockchain, Notícias 0 comentarios em “Uma breve história sobre a Blockchain”
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A Blockchain chegou para ficar. Muitas das tecnologias que hoje achamos naturais foram, no seu tempo, revoluções silenciosas. Basta pensar como os telefones mudaram o modo como vivemos e trabalhamos. Quando uma pessoa não estava mais no escritório, ela havia partido, pois o telefone estava preso a um determinado lugar, não a uma pessoa. Agora, temos nômades globais criando novos negócios direto de seus telefones. E, algo para se pensar: os smartphones só existem há uma década.

Atualmente, estamos no meio de uma nova revolução silenciosa: blockchain. Uma base de dados distribuídos que mantém uma lista crescente e contínua de registros ordenados, chamados “blocos”. Vejamos o que aconteceu somente nos últimos 10 anos:

A primeira grande inovação da blockchain foi o bitcoin, uma experiência com moeda virtual. A capitalização de mercado da bitcoin atualmente oscila entre US$ 10 e 20 bilhões e é usada por milhões de pessoas para pagamentos, incluindo um mercado de remessas amplo e em expansão.

A segunda foi chamada de blockchain; fundamentalmente, deu-se graças à percepção de que a tecnologia básica que operava a bitcoin podia ser separada da moeda e usada em todas as outras formas de cooperação interorganizacional. Praticamente todas as grande instituições financeiras do mundo estão analisando a blockchain no momento, e espera-se que, em 2017, 15% dos bancos a estejam usando.

A terceira chamou-se smart contracts (contratos inteligentes), inserida na segunda geração do sistema da blockchain intitulado ethereum, que desenvolveu pequenos programas de computadores diretamente na blockchain que permitiram que produtos financeiros, como empréstimos ou títulos, passassem a ser apresentados, e não mais somente dinheiro — como os tokens de bitcoin. A plataforma ethereum de smart contracts atualmente tem um mercado de capitalização de cerca de US$ 1 bilhão, com centenas de projetos direcionados ao mercado.

A quarta grande inovação, atual vanguarda do ideal blockchain, é chamada de proof of stake (prova de participação). As atuais gerações de blockchain são protegidas pela proof of work, na qual o grupo com maior capacidade de processamento total toma as decisões. Esses grupos recebem o nome de miners (mineradores) e gerenciam amplos centros de dados para oferecer esta segurança em troca de pagamentos feitos em criptomoedas. Os novos sistemas eliminam esses centros de dados, substituindo-os por instrumentos financeiros complexos com um nível de segurança igual ou maior. Espera-se que os sistemas de proof of stake entrem em funcionamento no fim deste ano.

A quinta maior inovação no horizonte intitula-se blockchain scaling (blockchain dimensionada). Neste momento, em todo o mundo da blockchain, todo computador em rede processa cada transação. Esse processo é lento. A expectativa é que uma blockchain scaling acelere esse processo sem sacrificar a segurança, descobrindo quantos computadores são necessários para validar cada transação e distribuindo o trabalho de uma forma eficiente. Gerenciar isso sem comprometer a lendária segurança e a solidez da blockchain é um problema complicado, mas não insolúvel. Espera-se que uma blockchain scaling seja suficientemente rápida para alimentar a internet com coisas e caminhar lado a lado com os maiores intermediários de pagamento (VISA e SWIFT) no mundo bancário.

Essa paisagem de inovações representa apenas 10 anos de trabalho de um grupo de elite composto por cientistas da computação, criptógrafos e matemáticos. Assim que todo o potencial dessas descobertas atingir a sociedade, as coisas certamente ficarão um pouco estranhas. Carros autônomos e drones usarão blockchains para pagar por serviços de recarga e aterrissagem. Transferências entre moedas internacionais deixarão de levar dias e passarão a levar uma hora, e, então, alguns minutos, com um nível de confiabilidade mais alto do que o atual sistema é capaz de administrar.

Tais mudanças, bem como outras, representam uma diminuição generalizada de custos com transações. Quando os custos de uma transação caírem para além dos limites invisíveis, haverá um acúmulo e desacumulo repentino, dramático, imprevisível de modelos de negócios existentes. Por exemplo: leilões costumavam ser limitados e localizados em vez de universais e globais, como são hoje em dia em sites como o eBay. Quando os custos para contatar as pessoas diminuiu, houve uma repentina mudança no sistema. É sensato esperar que a Blockchain provoque tantos efeitos em cascata como as que foram desencadeadas desde a invenção do comércio eletrônico, no final da década de 1990.

É difícil prever qual a direção que tudo isso irá tomar. Alguém notou o surgimento das mídias sociais? Quem poderia prever que clicar na cara dos nossos amigos iria substituir o tempo gasto em frente aos aparelhos de televisão. As pessoas que fazem previsões normalmente superestimam a rapidez com que as coisas acontecerão e subestimam os impactos de longo prazo. Mas o senso de proporção dentro da indústria da blockchain é de que as mudanças esperadas serão “tão grandes quanto a própria invenção da internet” — e talvez isso não seja um exagero.

O que nós podemos prever é que à medida que a blockchain cresce e mais pessoas adotam esse novo modo de colaboração, ela se estenderá a tudo, desde de cadeias de suprimento até encontros amorosos pela internet comprovadamente mais justos (eliminando a possibilidade de perfis falsos e outras técnicas de manipulação). E levando-se em conta como a blockchain chegou longe em 10 anos, talvez o futuro possa, de fato, chegar mais cedo do que qualquer um de nós pode imaginar.

Até o final da década de 1990, era impossível usar um cartão de crédito de forma segura na internet — o comércio eletrônico simplesmente não existia. Com que rapidez a blockchain pode promover uma nova mudança revolucionária? Levemos em conta que a estratégia da blockchain de Dubai (uma revelação: eu a elaborei) é publicar todos os documentos do governo na blockchain até 2020; foi anunciado há pouco que alguns projetos iniciais importantes serão lançados ainda este ano. O conceito chamado de Internet of Agreegments (Internet de acordos) apresentado no World Government Summit baseia-se nessa estratégia para vislumbrar uma transformação fundamental no comércio global, usando a blockchain para diminuir alguns dos impactos ocasionados pelo Brexit e pela recente saída dos Estados Unidos da Transpacific Partnership (Parceria Transpacífico).

Essas agendas ambiciosas precisarão ser comprovadas na prática, mas espera-se que, em Dubai, a redução dos custos e os benefícios com a inovação irão mais do que justificar o custo da experiência. Como nos ensina Mariana Mazzucato, em O Estado Empreendedor, a inovação de vanguarda, especialmente em infraestrutura, está frequentemente nas mãos do estado e isso parece destinado a ser verdade no caso do espaço da blockchain.
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Vinay Gupta é fundador da Hexayurt.Capital, um fundo que investe na criação de Internet of Agreegments. Vinay foi fundamental na criação da estratégia da blockchain de Dubai, projeto que coordenou o lançamento da plataforma Ethereum da blockchain; e é o inventor do hexayurt, um abrigo de emergência para refugiados. Suas áreas de expertise incluem gerenciamento de desastres, políticas de energia e computação gráfica.

Via Harvard Business Review

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